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A Vilã da Temporada - Resenha

  • 10 de ago.
  • 5 min de leitura

Autor(a): Laurie Devore

Nº de páginas: 451

Gênero: Romance contemporâneo

Editora: Arqueiro

Lançamento: 2025

O livro é: Único

Trope: Reality Show


⚠️ Esta resenha contém spoilers importantes sobre o enredo e o final do livro.


Arte de resenha do livro A Vilã da Temporada, de Laurie Devore, com a capa do livro em destaque, elementos de leitura ao redor, trope “Reality Show” e frases sobre fama, máscaras e escolhas.

Ela não é grossa, só é sincera (aham, sei...)

Jac Matthis realmente foi a vilã da minha temporada. Ou, pelo menos, da minha semana. Que leitura desafiadora, e não por um bom motivo, já que o livro não é complexo, mas os personagens são um desafio à parte.

Esse livro não estava na minha lista de leitura, mas quando o encontrei na minha biblioteca, a sinopse me chamou a atenção de imediato, e eu comecei a ler com muita expectativa.

E já vou adiantar que o maior problema desse livro é sua protagonista; não conseguimos gostar da Jac Matthis, uma escritora de 32 anos que viu seu primeiro livro fracassar de maneira vergonhosa, depois o segundo livro e, então, o derradeiro fim do seu contrato e da sua carreira.

Ela decide se inscrever para o reality de namoro chamado A Pessoa Certa, para tentar aumentar a sua popularidade e conquistar um novo público de leitores. E, embora ela sofra um certo boicote dos produtores e editores do reality, a verdade é que não há salvação para Jac. Ela é insuportável, chata, arrogante e, para uma escritora, não tem nenhum jeito com as palavras.

O tempo todo no livro ela afirma que entrou no reality para performar um personagem e tenta dar a entender que os produtores manipularam as edições para torná-la uma pessoa má, intragável, de fato a vilã daquela temporada, ainda que fique clara a preferência do participante masculino, Marcus, por ela. Mas a verdade é que Jac é aquela vilã, pura e simplesmente. A edição muda uma coisa ou outra de contexto, mas é ela quem faz todas as declarações e comentários maldosos.


Quem é o verdadeiro vilão?

Vamos à história em si: pouco antes de iniciar no reality e ir para o confinamento com as outras meninas que vão participar do programa, Jac tem uma noitada com um cara qualquer de Los Angeles, apenas para descontrair. Os dois se relacionam de maneira rasa e falam pouco sobre si mesmos, e ela sabe apenas que ele não gosta de onde trabalha.

Então, qual não é a surpresa dela ao encontrar esse homem - Henry - nos bastidores, e descobrir que ele é um dos produtores de A Pessoa Certa. Os dois rapidamente entram em um consenso de fingir que aquela noite nunca existiu, mas ele, quase de imediato, começa a usar isso, esse segredo entre eles, para convencê-la a falar e atuar de formas que ficarão melhores na tela. Jac abre partes de suas inseguranças para ele, e demora a perceber que está sendo manipulada pelo produtor.

Acredito que isso pode ser considerado um ponto alto do livro: as partes ruins dos personagens são desenvolvidas sem medo, e é fácil odiar os comportamentos, a forma como aquele jogo é jogado. O impacto psicológico também fica evidente, principalmente porque Jac narra a história do futuro, então, enquanto nos mostra os acontecimentos, ela também informa como eles foram apresentados para os espectadores.

A autora também utiliza outros recursos narrativos para mostrar como o reality está sendo recebido pelo público, através de entrevistas, fóruns na internet e até mensagens em redes sociais - mais um ponto positivo do livro.

Mas nada disso apagou o ranço que eu desenvolvi da Jac. E, conforme ela e Henry começam a se envolver escondidos, ignorando as consequências que podem vir disso, sinto que ela também começa a desgostar um pouco de si mesma.

A grande reviravolta chega quando Marcus ameaça Jac, revelando que sabe dos encontros secretos dela com Henry. Para se manter calado, ele informa que irá escolhê-la, e que isso vai beneficiar a carreira e popularidade dos dois.

Nós também descobrimos que Henry foi produtor de Marcus na temporada anterior, e que tudo o que ele se tornou foi, na verdade, criado por Henry e roubado da própria personalidade do produtor (esse lado manipulador do Marcus foi a única coisa que me surpreendeu de verdade).

Henry, embora afirme não suportar mais seu emprego, também não cogita se afastar dele por Jac. Ao invés disso, os dois seguem os passos estipulados por Marcus, e Jac se entrega a isso quando percebe que Henry não vai arriscar nada por ela.

Inclusive, é importante destacar que o Henry, durante o livro todo, se mostra bastante manipulador e não parece se importar o bastante com a Jac para evitar usá-la. Ele dribla as regras apenas o suficiente para ter encontros 'românticos' com ela, mas não vemos praticamente nenhuma ação dele que demonstre que ele é capaz de lutar ou sacrificar algo por esse relacionamento. Em um certo ponto da história, eu já estava achando que o final perfeito para a Jac seria ela terminar sozinha.


A vilã da temporada na verdade é...

A indústria do entretenimento. E o capitalismo, provavelmente.

Brincadeiras à parte, Jac acaba aceitando o pedido de Marcus no final das gravações, e aceita fingir ao lado dele. Enquanto o programa vai ao ar, ela se esconde em casa e evita o contato com o mundo exterior, até o evento do dia em que o último episódio será exibido.

Com o apoio das amigas e até da produtora, Jac vê Henry sentado na plateia e discute com ele, até descobrir que ele pediu demissão no final das gravações, e que só está ali por exigência do contrato, como ela.

Jac, furiosa com tudo e todos, termina com Marcus ao vivo e sai, decidida a seguir os rumos da própria vida.

Somos surpreendidos, então, com o epílogo, onde, um ano depois, ela está conversando com os antigos produtores sobre o seu contrato de confidencialidade. Para a surpresa de todos, ela aceita participar de um novo reality se puderem cancelar o contrato antigo, e então ela assinará um novo.

Quando ela volta para casa, Henry está na cozinha e descobrimos que eles se tornaram um casal, e que Jac, na verdade, quer escrever um livro sobre os bastidores do que viveu.

Não pareceria um final ruim, se não fosse o fato de que Henry e Jac se acertaram às escondidas do leitor, e eu já não conseguia mais torcer por eles, dado o histórico de manipulações de Henry. O fato desse 'acerto de contas' não aparecer nas páginas, ainda por cima, fez com que comprar essa ideia fosse quase impossível.


No final do dia, eu odeio todo mundo

Isso pode até me tornar parecida com a Jac, mas eu não achei nada que desse para salvar nessa história. É um livro bem escrito, com uma edição limpa e precisa, mas cujo enredo não me tocou.

É uma opinião pessoal, e não um julgamento definitivo. Embora eu seja parte do público-alvo desse livro, não é incomum que uma obra não agrade a todos. Se você espera um romance fofo, ou personagens um pouco acima de uma moral cinzenta, é melhor prosseguir para o próximo livro da sua lista.

Mas, se você prefere o humor ácido e romances que fogem um pouco do padrão, mergulhe sem medo e volte depois para me contar o que achou.


AVALIAÇÃO FINAL: 2,5/5

Livro com uma premissa atraente, mas uma protagonista fácil de odiar e difícil de defender, e um par romântico manipulador e covarde. Os dois entregam um romance irritante, imaturo e nada saudável.


Até a próxima leitura!

Garota Milenar




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Garota Milenar

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